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sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Por que amamos Amy Winehouse?


Eis minha contribuição para entender o fenômeno Amy Winehouse. Vemos as pessoas ouvindo-a incansavelmente, vestido-a. Outro dia, na boate, tocou a versão remixada de Rehab e as pessoas ficaram enlouquecidas gritando histéricas. Para além do inegável talento musical, dos constantes escândalos midiáticos e do estilo super em alta (meio retrô), que certamente explicam também o sucesso de Amy, pretendo fazer uma despretensiosa análise filosófica-antroposociológica-semiótica. Deixo claro, desde já, que não estou questionando em nenhum momento se Amy é ou não autêntica, até porque isso não importa aqui nesse texto, tudo pode ser uma construção da indústria cultural, trato daquilo que nos chega acabado. Winehouse é o que é por um simples motivo: ela entende nossa culpa.


Vivemos numa geração em que fomos enganados desde crianças. Fomos criados a crer que somos especiais e a acreditar na importância do amor e da compaixão, e ao mesmo tempo a sociedade está organizada no estímulo a competição - ao ponto de querermos destruir o Outro o tempo todo - e a cada dia nos vemos mais e mais transformados em homens comuns, em homens-massa.


Há décadas vivenciamos na música pop a hegemonia das pop’s princess e das boy bands (e mais recentemente dos rappers), sempre lindos, simétricos, sexys, cantando o desejo, o consumo e a alegria festeira. Sempre nos olhando sorrindo, tentando nos seduzir... Amy é diferente. Ela canta a decadência, as drogas, o descrédito no amor. Claro que isso não é novo, no rock isso é até comum. Mas se os rockeiros cantam isso em tom de revolta, Amy canta em tom de derrota. Amy nos olha com desprezo entortando a boca e parece que nossa culpa é menor, menos pesada. Amy bate nos fãs. Amy parece não se importar (reparem nesse show, aos primeiros acordes de back to black o público aplaude eufórico e ela se mantém incólume). Ela parece ser livre de fato: livre do delírio midiático da busca pela longevidade a da juventude a qualquer custo, drogando-se, acabando com seu próprio corpo, fazendo dele uma alegoria ao sentimento pós-moderno. Amy vive sua canção brutalmente honesta. Isso assusta e nos encanta.

"O amor é um jogo perdido"

5 comentários:

dayane disse...

oi! Sérgio

eu concordo plenamente com você!
você soube por em palavras tudo o
que eu pensava sobre a mídia em
cima da Amy!

bjos! abraço!

Diego! disse...

Concordo...

ela tá nem ai. Ela canta e parece gostar disso.

Uma pena ela levar tudo ao extremo.
até...

Flora disse...

Fiquei encantada com o texto... pela primeira vez eu vejo alguém falando sem rodeios sobre a Amy. Você mostrou toda a simplicidade e um ângulo pelo qual eu ainda não havia percebido a Amy cantora e a Amy pessoa.
Gostei mesmo.
Flora

BHY disse...

Já amei, odiei, desejei que ela parasse de se drogar, já não me importei com nada disso. Acho uma pena se ela morrer rápido, mas não posso ser tão egoísta com alguém que é genial no que faz. Amy já nos deu o seu talento em canções eternas. Já não importa o que ela faz. Já foi o bastante tudo que ela fez.
;-)

Rafael Bandeira disse...

Realmente Sérgio,

Concordo com você e com todas essas pessoas acima. Só queria comentar que essa música depressiva sempre foi aclamada pelo público, mas o artista que ousa explorar sua decadência normalmente morre cedo. Hoje sou fã da Amy assim como quando eu era adolescente e era fã de Nirvana. Punk rock muito depressivo.

A principal diferença está na musicalidade. Ela se declarava artista de jazz e o jazz e o blues são depressivos e falam de amores perdidos e etc.. só que a combinação da voz falhada e indiferente dela tornam as músicas mais reais.

Se houvesse uma linha, eu a colocaria entre Lauryn Hill e Joss Stone.

[]´s